Ele tinha uma voz que aparentava ter mais idade e sempre dava uma risada antes de responder as coisas. Você visualizava na mente aquele sorriso antevisto no monitor.
Contato carnal.
Sua boca encheu de saliva enquanto ajeitava o cabelo no retrovisor esperando por Gelo. Foi entre um dos goles dessa secreção insípida de apreensão levemente alcalina q você o viu se aproximar pelo espelho. Ele andava devagar, e a cada passo lento, suas glândulas sublinguais e submaxilares te enchiam a boca, como se pudessem digerir o amido da possibilidade de um amor, ele se apoiou na janela do carona e sorriu: Oi.
Hdl: Oi. Entra.
Ele entrou.
O amor é uma paixão diluída?
Foi com paixão que dirigiu lento sobre as poças da chuva repentina enquanto falavam com a rapidez do nervosismo. Devidamente surpreendido você nomeava seus escritores contemporâneos favoritos enquanto ficava de pau duro diante da possibilidade de um amor. Um amor que se solidificava no banco do carona. Um amor que enxugou a mão na calça jeans para pegar na sua. Um amor mesmo que frio e úmido.



